13 de fevereiro de 2013

POR VOCÊ






 

 

 

POR VOCÊ

Marília Gabriela Pereira

2013



Agradecimentos

                                                                                  
Não poderia de deixar de agradecer minha melhor amiga Amanda que além de me incentivar a escrever esta história me ajudou bastante com os diálogos de uma das personagens, dando mais vida a essa ficção. Deixando bem claro e dando os devidos direitos autorais a algumas falas que são de sua própria autoria.
Tenho que agradecer também o apoio de muitos amigos do mundo virtual, que de longe me mandaram várias vibrações positivas.
E é claro, agradeço a Deus pela chance que me deu de receber tais inspirações dos bons espíritos para redigir essa história.
E um agradecimento antecipado para aqueles que de bom grado me permitirão usar seus nomes originais e aqueles que me permitirão que troquem os verdadeiros por fictícios.


 

Súmario



 

Era uma vez...


Já era noite na cidade. Muitas famílias estavam reunidas em suas casas assistindo televisão ou jantando. Nas casas podia se ver as luzes acesas em quase todos os cômodos, as vezes somente o luminar do brilho da “TV”, ultrapassava as janelas. Era uma noite limpa, de céu estrelado. O tempo estava agradável. A primavera já havia chegado há algumas semanas e em alguns jardins via-se um lindo arco-íris perfumado.
A pequena Ana estava brincando com suas várias bonecas na sala de sua casa. Ela estava muito feliz, pois logo chegaria o dia das crianças e seus pais a levariam para passar o dia no horto. Desde antes mesmo dela nascer, aquele era o lugar preferido de sua mãe e aquela seria a primeira vez que Ana iria lá, e ela estava super ansiosa.
-Mamãe, eu posso levar algumas de minhas bonecas no horto? – perguntou ela ao entrar na cozinha.
Marina estava guardando a louça no armário. Ela nunca jantava isso desde que se conhecia por gente. Mas, assim que começou a namorar Thiago ela fez questão de aprender.
-Oi Aninha? Algumas bonecas? Quais você quer levar?
-Não sei mamãe!
-Hum! Todas foram bozinhas esse ano? Ninguém aprontou?
-Verdade mamãe! A Mile e a Nana brigaram muito!
-Então elas não merecem ir, não é mesmo?
-É! Vão ficar de castigo!
-Quando elas ficarem bozinhas ai você leva elas ta meu bem?
-Ta mamãe! – confirmou contente a pequena Ana que soltou um grande bocejo.
-Oh filhinha! Ta com soninho? A mamãe já vai te por na cama! Pegue suas bonecas e leve elas lá para seu quarto.
-Ta. Vou levar elas e depois vou dar um beijo no papai e no Dedé. - e saiu correndo pra pegar as bonecas.
Thiago estava o quarto jogando videogame com seu filho mais velho, André. Quando Ana entrou correndo e pulou na cama gritando.
-Papai! Papai!
Thiago olhou para o filho e este entendeu o sinal do pai com os olhos e pausou o jogo por um momento.
-Hei papai! – grudando no pescoço de Thiago.
-André, alguma coisa me agarrou! – falou brincando. – O que será que é? Será que é um monstro?
-Não papai! Sou eu!
-Não é um monstro? É pior? Um fantasma! Meu Deus! – e segurou a filha e saiu correndo pela casa.
-Papai bobo! – disse Ana gargalhando.
-Ah! É você Aninha! O que você está fazendo ai?
-Vim te dar um beijo.
-Já vai pra caminha meu anjo?
-É papai. Mamãe vai me cobrir já, já.
-Então ta! – ele beijou a filha e colocou-a no chão. – Bons sonhos meu anjinho!
-Pra você também papai! – e voltou para o quarto de Thiago para falar com o irmão.
-Tchau Dedé! To indo dormir!
-Já maninha?
-É.
-Então tchau! – pegou Aninha e deu um abraço de urso e um beijo estalado.
Quando Ana saia do quarto sua mãe já estava a esperando.
-Vamos então meu bem? – falou Marina pegando na mão da filha.
-Vamos!
-Hei André! – disse Marina. – Você deveria ir também!
-Ah mãe! Só mais um pouco! Amanhã é sábado! Deixa? Por favor! – pediu ele com as mãos unidas e beicinho.
-Está bem! Mas só mais um pouquinho!
-Obá! Obrigada mãe! – disse ele pulando da cama e dando um beijo em Marina. – Vem pai!
Thiago deu um beijo em Marina e correu pro lado do filho.
Thiago trabalhava das cinco da manhã até ás duas da tarde, de segunda a sábado, em uma fábrica de computadores já havia três ano. Para ele nunca foi tão gratificante dormir tarde e acordar cedo quanto nos últimos oito anos. Ser pai era o que ela mais queria na vida e amava os filhos incondicionalmente.
Marina já havia ajeitado Ana na cama, quando a mesma lhe faz um pedido irrecusável:
-Mamãe!
-O que foi?
-Me conta uma história?
-Claro meu bem! – Marina se levantou da cama e iria pegar um dos muitos livros que Ana tinha em uma prateleira quando Ana disse:
-Dos livros não mamãe.
-Como assim Aninha?
-Inventa uma história pra mim. – Apesar de ter apenas cinco aninhos, Ana sempre foi muito esperta, falava muito bem e já sabia escrever muitas coisas. E também era muito talentosa. Marina tinha colocado a filha para fazer balé há poucos meses em uma escola e ela já se mostrava com grande habilidade para ser uma futura dançarina.
-Inventar uma história é? Ta bom! – disse Marina se ajeitando perto da filha. – Sobre o que?
-Sobre princesas!
-Princesas? Eu adoro histórias de princesas! A minha preferida e da “Bela e a Fera”.
-Eu sei mamãe. Você já me disse isso. Mas não quero uma princesa dos livros.
-Ai filhinha! Assim fica difícil!
-Você mamãe!
-Como?
-A princesa tem que ser você!
-Nossa! Eu? Mas eu não sou uma princesa meu bem.
-Mas mamãe, uma vez papai me contou que você o chamava de príncipe. Então você é a princesa ué!
-Ele falou isso é? – e Marina ficou enrubescida ao se lembrar que era verdade. Antes de ela namorar Thiago ela vivia falando para suas amigas que ele era seu príncipe.
-É mamãe! Agora conta logo!
-Certo! - Por um momento Marina pensou e suspirou, e quando parecia que já sabia exatamente o que contar, começou.
“Era uma vez uma princesa chamada Marina. Ela morava em um castelo lindo e muito grande. Apesar de ser uma princesa, Marina ia para escola como as outras pessoas do vilarejo que ficava ao redor do castelo. Ela se vestia como as outras meninas, pois não gostava muito de ser tratada como uma princesa, porém todos sabiam quem era ela. Marina era amiga de todos e gostava muito de estudar e ler. Ajudava seus amigos com as matérias em que eles tinham dificuldade e depois que a aula acabava todos costumavam ir até o lago para nadar e conversar. Marina tinha três grandes amigas que ela gostava muito, Alice, Helen e Renata. Quando as quatro se juntavam era só alegria. Uma tarde depois da escola, Alice disse que não poderia ir ao lago, pois tinha que ficar em casa para olhar seu irmãozinho enquanto sua mãe estivesse fazendo compras no vilarejo vizinho. Então ela foi para o lago com Helen e Renata. Porém ao chegarem lá, um rapazinho que estudava com elas, Davi, estava esperando por Renata com um lindo buque de flores do campo que ele mesmo colhera. Davi estava apaixonado por Renata já havia um tempo e pelo jeito ele havia escolhido aquele dia para se declarar para ela. Renata então saiu para passear com Davi, deixando Marina e Helen no lago. Helen, no entanto não parecias estar se sentindo bem e disse que iria pra casa para descansar. Marina ficou sozinha no lago e como não estava com pressa para voltar ao castelo resolveu ficar por ali, se sentou debaixo da sombra de uma grande árvore e pegou um livro que levava consigo e começou a lê-lo. Entretida na leitura, ela nem percebeu que havia alguém se aproximando. Era Will, um de seus colegas de classe.
-O livro parece ser bom! – disse ele sentando-se do outro lado da árvore.
-Sim. É realmente muito bom! – concordou Marina automaticamente sem tirar os olhos sobre o livro. – Hei! Quem foi que disse isso?  - perguntou ela olhando para os lados.
-Sou eu. Will. – respondeu ele saindo de trás da árvore.
-Oi Will! Nem percebi que tinha companhia. Faz tempo que está ai?
-Não. Eu acabei de chegar. Posso me sentar aqui? – perguntou ele apontando para a sombra a frente dela.
-Claro! Será muito bom ter uma companhia!
-Obrigado! Por falar nisso, onde estão suas amigas?
-Elas tinham outras coisas para fazer hoje.
-Hum. Entendo. – ele sempre dizia aquilo, era uma característica marcante dele falar desse jeito.
-E você? Por que não está com seus amigos?
-Como? Amigos? Que amigos? – perguntou rindo.
-Ora! O Rafael, o Daniel, seu primo Fernando.
-Ah! Esses amigos! Bem, na verdade eles não são lá boa companhia.
-Você só pode estar brincando! Sempre vejo vocês se divertindo tanto por aqui!
-Aquilo? – riu. – Eu não diria que ser lançado no lago, levar empurrões e socos, brincar com pedaços de galhos fingindo serem espadas seja algo muito divertido quando você sai com alguns arranhões.
-Me desculpe! Eu pensei que você gostasse daquelas coisas.
-Pois é. Você pensou errado. Eu não gosto desse tipo de brincadeira sem graça. Prefiro jogos de tabuleiro que são bem mais interessantes!
-Jura? Eu também! – exclamou Marina feliz.
-Não brinca! Só falta você falar que gosta de teatro e orquestra.
-Pois eu amo!
-Caçamba! – disse Will espantado.
-Por que você está surpreso? Eu é que deveria estar!
-Não fazia idéia que você gostasse desse tipo de atividades.
-Tem muita coisa sobre mim que você não sabe. – disse Marina com um sorriso misterioso.
-Não seja por isso.  – disse ele com um sorriso parecido. – Acho que essa é uma boa hora de nos conhecermos melhor!
E Will e Marina ficaram o restante do dia conversando e nem viram que já estava entardecendo. Marina adorou as histórias que Will lhe contara, ela não fazia idéia de como ele era tão interessante e engraçado. Já que na escola eles pouco se falavam. E Will também jamais imaginou que Marina fosse aquela garota tão meiga e sensível.
-Oh meu Deus! – se assustou Marina se levantando rapidamente num impulso.
-O que foi? – perguntou Will se levantando também.
-Perdi a noção do tempo. Veja, o sol está quase se pondo. – disse ela pegando suas coisas.
-Você vai ter problemas por causa disso?
-Espero que não! Bom, Will foi muito bom ter passado à tarde com você! Adorei ter te conhecido melhor!
-Eu também! Apreciei muito sua companhia!
-Eu tenho que ir agora!
-Quer que eu te acompanhe?
-Não precisa. Não quero te colocar em nenhuma encrenca.
-Acho que vale a pena arriscar. – disse ele sorrindo.
-Então ta! Mas não diga que eu não te avisei! – riu Marina.
E Marina voltou para o castelo acompanhado por Will. Durante o caminho não se falaram muito e ao chegarem ao castelo Marina o agradeceu:
-Muito obrigada por me acompanhar até aqui Will!
-Pra mim foi um prazer!
Marina deu um beijo no rosto dele e saiu andando. Mas antes que ela entrasse no castelo Will gritou:
-Hei Marina!
Ela olhou pra trás e ele falou:
-A gente se vê amanhã?
-Claro Will! Até amanhã!
-Até!
Marina entrou no castelo correndo e foi para seu quarto sem que ninguém a visse e fechou a porta. Jogou-se na cama e ficou pensando em Will, e ao pensar nele, sentia um calor bom em seu peito que a fazia sorrir. Ela estava apaixonada!
-Boa noite meu anjinho! – disse Marina dando um beijo na filha que já estava dormindo.


Passado



Marina saiu do quarto da filha e entrou no seu.
Thiago e André haviam pegado no sono. Ela os cobriu e deu um beijo na testa de cada um.
Marina não foi se deitar. Estava sem sono. Aquela história de algum jeito mexeu muito com ela. Ela pegou seu notebook e se sentou no sofá. Então começou a ver algumas fotos de quando era mais nova. Até que ela parou em uma em especial. Era a foto dela com seu, até então, melhor amigo no último dia de aula. Ela ficou um bom tempo olhando para aquela foto e depois fechou o notebook e ligou a “TV”.
Thiago se levantou para ir ao banheiro, quando viu o brilho da “TV” vindo da sala. Foi até lá e achou Marina dormindo no sofá. Ele reparou que antes de dormir ela estava assistindo um filme que ela só assistia quando se sentia triste. Thiago também reparou que algumas lágrimas ainda molhavam o rosto dela e as enxugou. Marina acabou acordando.
-Thiago! – disse ela meio zonza. – Acho que peguei no sono aqui! Que horas são?
-Quase meia-noite. Você está bem Ma? – perguntou preocupado.
-Estou sim! Só estou com sono! – respondeu ela bocejando.
-Você estava assistindo?
-Ah sim! Não estava conseguindo dormir e coloquei o filme para me distrair.
-Marina. O que está acontecendo hein? Você só assiste a esse filme quando está triste. – disse ele acariciando os cabelos da esposa com carinho.
Marina o abraçou com força e começou a chorar baixinho em seu ombro.
-Vai ficar tudo bem meu amor! – falou ele tentando consolá-la.
Ela enxugou as lágrimas, olhou para ele com um sorriso fraco e o beijou.
-Vamos dormir? Você tem que acordar cedo para ir trabalhar. – disse ela se levantando e desligando a televisão.
Thiago viu de relance o notebook sobre o outro sofá e como sabia que Marina fechava o notebook sem desligá-lo, passou pela cabeça dele que talvez a resposta do motivo de Marina ter ficado triste estivesse ali.
-Claro! – falou Thiago saindo de seus pensamentos. – Vou colocar o André no quarto dele e já vou pra cama!
Thiago foi para o quarto com Marina e pegou André no colo. Antes de voltar para seu quarto, passou na sala, sentou-se no sofá e abriu o notebook. A foto ainda estava lá.
-Droga! – disse ele baixinho ao ver a foto.
Marina de repente lembrou que não havia desligado o notebook e foi para sala. Chegando lá, ela viu Thiago olhando para foto.
-Thiago! – ela o chamou baixinho, temendo o que viria depois.
-Estou desligando pra você. Você sempre esquece. – disse ele tristemente.
-Me desculpe Thiago! – disse ela se sentando ao lado dele.
-Faz tanto tempo que eu pensei que você já tivesse esquecido. – disse ele com os olhos cheios de lágrimas, lutando para não chorar.
Marina pegou na mão dele e disse:
-Eu te amo Thiago! Você sabe disso!
-Só que boa parte do seu amor não é meu não é Marina? – disse ele com uma voz mais séria.
-Isso não é verdade Thiago. – disse ela se levantando do sofá.
-Ah não? – disse ele levantando também. Ambos discutindo baixinho. – Então por que você não pode esquecer ele? – segurou nas mãos dela. – Marina, eu te amo.
-Eu também te amo Thiago! Muito! E eu não quero mais te fazer sofrer. Eu prometo pra você que vou acabar com esse sentimento de vez.
-Não me faça promessas que você não pode cumprir Marina. – disse ele com um sorriso triste. – Venha! Vamos dormir que já está tarde.
Ambos se deitaram em silêncio, mas nenhum dos dois realmente conseguiu dormir.
...
Antes do namoro deles ficar sério, Marina confessou a Thiago que ainda havia boa parte de seu coração que pertencia à outra pessoa. Thiago ouviu toda história e ficou muito triste. Por algum tempo ele ficou sem falar com Marina, mas uma noite ele foi à casa dela e disse que a amava muito para ter que perde-la para alguém que já não fazia mais parte diretamente da vida dela. E disse ainda que iria lutar com todas as forças para fazer com que ela esquecesse aquele cara de vez, e que também faria de tudo para que todo amor de Marina fosse dele. Marina ficou encantada com a atitude e palavras de Thiago, tendo a certeza que ele a amava, fez de tudo para esquecer seu antigo amor, entregando de vez seu coração a Thiago.
...

Saída


Logo de manhã, Thiago se levantou para ir trabalhar e nem reparou que Marina não estava mais na cama. Normalmente no sábado, Marina não levantava tão cedo, mas como não conseguiu dormir, se levantou e preparou o café para Thiago que levou um susto quando viu Marina na cozinha.
-Te acordei Marina? – perguntou ele pegando uma caneca no armário.
-Não. E pelo jeito você nem reparou que eu não estava mais na cama.
-Pra falar a verdade, não mesmo. Estou morrendo de sono. – disse ele dando um beijo na cabeça dela.
-Eu também.
Um breve silêncio se fez e ela falou novamente:
-Thiago. Vou levar as crianças na casa da minha mãe mais tarde para você poder dormir depois que chegar do serviço.
-Que isso! Você sabe que eu não me importo de ficar com as crianças quando eu chego do trabalho.
-É claro que sei! Mas um bom pai merece descansar também! – disse ela levantando-se do lugar e dando um beijo na bochecha dele.
-Esta bem! Só vou aceitar por que dessa vez estou pregado mesmo. Depois eu passo lá para buscar vocês.
-Não se preocupe! Descanse bem! Vou pedir pra Alice dar uma carona pra gente!
-Você vai ver ela?
-Vou sim! Depois que almoçar, vou lá. Enquanto isso, as crianças vão ficar bem com avô babão deles! – sorriu.
-Então ta! Vou indo nessa então!
-Eu te acompanho até o portão.
Eles foram abraçados até o portão e Marina disse:
-Me desculpe por ontem Thi. Eu não queria ter feito mal pra você de novo.
-Não se preocupe Ma. Eu que peço desculpas. Eu fui um tolo ao falar com você daquele jeito. Você não merece sofrer mais.
-Não Thiago. Você tem todo direito de ficar bravo comigo. Eu nunca serei a esposa que você merece.
-Nunca mais diga isso Marina. – disse ele olhando seriamente em seus olhos. – Você é a mulher que eu amo e que sempre vou amar. E sei que você me ama também me que nunca quis que essa história voltasse a acontecer.
Ela o abraçou com todas as forças e ele retribui lhe dando depois um beijo apaixonado.
-Agora eu tenho que ir.
-Vai com Deus meu amor!
-Eu te amo Marina!
-Eu também te amo Thiago!
E Thiago saiu para pegar o ônibus da fábrica.
Era ainda muito cedo. As crianças iriam demorar a acordar. Marina lavou toda a roupa da semana, já que ela não tinha tempo pra fazer aquilo todo dia. Era umas sete e meia da manhã quando ela havia terminado. Entrou dentro de casa e começou a tirar o pó, varrer, juntar alguns brinquedos que Ana deixou prá trás na noite anterior e quando foi oito horas a pequena acordou.
-Oi meu bem! – disse Marina abraçando a filhinha. – Bom dia!
-Bom dia mamãe!
-Vamos tomar café?
-Vamos! – respondeu ela ainda com carinha de sono.
Marina deu café pra filhinha e continuou com a arrumação da casa. Assim que terminou o café, Ana foi à sala e ligou a televisão para assistir desenho.
Quando já era umas nove e meia, André se levantou.
-Bom dia mãe! – disse ele dando um beijo em Marina que estava arrumando o quarto de Ana.
-Bom dia André! Dormiu bem?
-Como um bebê! – André era um menino muito inteligente. Havia puxado o pai, mas o humor com certeza era algo que ele havia puxado de seu tio Thomas, irmão caçula de Thiago.
Lá do quarto, Marina chamou Aninha.
-Aninha vem aqui um pouquinho meu anjinho!
-Estou indo mamãe!
Chegando ao quarto, Marina lhe falou:
-Vamos tomar um banho bem gostoso agora para a gente ir à casa do vovô! – disse ela agachada na altura da filha.
-Na casa do vovô Marcelo ou do vovô José?
-Na casa do vovô Marcelo. O que acha?
-Legal mamãe!
-Então vamos pro banho e depois que eu te arrumar você me ajuda a colocar algumas coisas que você quiser levar pra lá na sua mochilinha ta bom?
-Ta bom! – disse ela feliz. – Hei Dedé! – gritou ela do quarto.
-Fala maninha! – gritou ele da cozinha.
-A gente vai à casa do vovô Marcelo!
-Sério mãe?
-É sim meu bem! Depois você vem tomar banho ta?
-Certo mãe!
Após ajudar Ana a se arrumar, Marina pediu que André fosse fazer o mesmo. Enquanto isso ela pegou o telefone e ligou para a casa de seus pais.
-Alô. – disse uma voz masculina.
-Oi pai! Sou eu! Marina!
-Oi filha! Tudo bem? Como estão meus netinhos?
-Estão bem! Na verdade estou ligando pra avisar que vou levá-los ai daqui a pouco, está bem?
-Claro! Pode vir sim! Você vai ficar aqui?
-Não. Eu só vou almoçar por ai. Fiquei de ir à casa da Aline.
-Então ta bom filha! Vamos esperar vocês!
-Certo! Até mais pai!
-Até!
Marina desligou o telefone e foi para seu quarto pegar alguma roupa para vestir depois que tomasse um bom banho, só estava esperando André sair do banheiro. Enquanto isso Ana entrou no quarto da mãe.
-Mamãe!
-O que foi meu anjo?
-Você não terminou de contar a história ontem.
-Como você sabe? Você dormiu.
-Sei por que você não falou nada sobre um príncipe.
-Certo filhinha! Hoje a mamãe termina ta?
-Ta bom!
Marina foi para o banho pensando que ter contado aquela história para sua filha tinha sido um erro. E que foi por culpa dessa história que ela se recordou do passado e acabou magoando Thiago. Porém tinha que terminar a história para sua filha e depois tudo ficaria bem.
Era dez e meia quando Marina saiu de casa com seus filhos para pegar o ônibus que os levaria até a casa de seus pais. Chegando lá, o bom e velho Totó apareceu no portão para dizer “oi”.
-Oi Totó! – falou os três juntos.
-Olha quem está aqui! – disse o pai de Marina indo abrir o portão!
-Vovô! – disse as crianças abraçando Marcelo.
-Oi pai! – disse Marina dando um beijo no pai. – A mamãe está na cozinha?
-Está sim!
-Então eu vou lá ajudar ela com o almoço. Crianças sejam boazinhas com o vovô.
-Ta mamãe!
Marina chegou à cozinha e abraçou a mãe e começou a ajudá-la com o almoço. Eles almoçaram juntos e depois que Marina ajudou sua mãe arrumar, foi sair para ir à casa de Alice, que não era muito longe dali.
-Pai eu volto mais tarde! Espero que vocês se divirtam!
-Ta bom minha filha! Vai com Deus! Vou cuidar bem dos meus netos pra você!
-Se comportem crianças!- disse Marina dando um beijo em cada um.


Decisão



Marina caminhou por alguns minutos até chegar à casa de sua amiga. Alice e Marina eram melhores amigas há muitos anos. Conheceram-se na escola, quando Alice começou a estudar na sala de Marina na terceira série, e desde então se tornaram inseparáveis. E como melhores amigas, eram confidentes uma da outra e se entendiam super bem.
-E ai! – disse Alice aparecendo no portão após vir Marina lhe chamar.
-Oi Alie!
Entra ai! – convidou Alice ao abrir o portão
-Temos que nos ver toda semana senão eu piro! – brincou Marina.
-Pois é! Temos muitas coisas para conversar!
Elas se sentaram na sala e Alice deu início ao bate papo:
-E então Ma, quais são as novidades?
-Bom, não são muito boas. Na verdade queria ter te mandado uma mensagem, mas já estava muito tarde, então como eu ia vir aqui mesmo. – fez uma pausa e Alice a interrogou.
-O que foi que aconteceu? Você não está com uma cara de boas notícias.
-Eu e o Thiago tivemos uma discussão ontem.
-Ah, não se preocupe Ma! Isso acontece com qualquer um! Até mesmo com um casal perfeito como vocês!
-Mas não foi qualquer discussão Alice.
-Oh my God!
E Marina relatou para amiga, o que havia acontecido na noite anterior, a história, a foto, a briga.
-Ai Ma! De novo você pensando no Will, aquele covarde filho de uma boa mãe que te iludiu? Pensei que você já tivesse esquecido ele. Aquele cretino não merece nenhuma lágrima sua nunca mereceu. Ele te enganou Ma, nunca te amou de verdade. Você não merece sofrer assim, ainda mais por ele que nunca foi digno de qualquer sentimento seu. Escuta o que eu estou falando Ma. Esquece esse cara. Não pensa mais nele, isso só te faz mal. Você tem uma família linda, um cara que te ama de verdade, tudo o que você sempre quis você conseguiu conquistar. Apague o Will da sua vida pra sempre. Olha Ma, o Thiago é um cara legal, ele não merece sofrer. Cara, ele lutou tanto pra vocês ficarem juntos. Ele sim te ama. E sei que você também o ama.
-Eu nunca quis magoar o Thiago, e não quero mais que ele sofra. Quero esquecer de vez o Will, mas não sei como fazer isso.
-Comece apagando aquelas fotos do seu note e de onde mais estiverem. Não guarde nada que te faça lembrar ele.
-Fiz isso hoje cedo antes de vir pra cá. Mas acho que só isso não basta. Acho que vou ter que procurá-lo e falar com ele.
-Hei Ma! Calma ai! Pense bem no que você vai fazer! Acho que você não está ouvindo o que está falando! Meu! Isso é loucura! E você nunca foi assim! Bota a cabeça pra funcionar ou você vai acabar pisando na bola de novo!
-Não adianta Alice! Eu já decidi! Vou fazer isso! Eu sempre fui uma garota de ficar só pensando e nunca agia. Agora vou agir! Eu sei que isso significa botar meu casamento em jogo. Mas o Thiago precisa saber que eu o amo e que o Will não passa de um fantasma do qual eu preciso me livrar. E eu vou fazer isso agora. – disse Marina se levantando e indo pra porta.
-Espere Ma! Eu vou com você! A gente sempre apoiou uma à outra! Não vai ser agora que vou te abandonar! Por mais que isso seja uma loucura total e eu não concorde nada com o que você vai fazer.
Marina sorriu, e mesmo que nunca fosse de abraçar muito a amiga, lhe deu um grande abraço e agradeceu:
-Obrigada Alice! Sabia que podia contar com você!
-Tamo junto! Vou pegar a chave do carro e já saímos. Ma? Pra onde a gente vai?
-Vamos até a casa dele. Provavelmente estará lá.
-E você sabe onde ele mora?
-Tenho um endereço que a muito tempo guardei quando pensei em enviar pra ele aquele presente idiota que você me ajudou a escolher, lembra?
-Droga! Lembro-me sim! –disse ela já com a chave do carro em mãos.
...
Will e Marina quase viraram namorados. Marina desde que se dera conta de seus sentimentos procurou se aproximar de Will. E depois de ter certeza do que sentia por ele, Marina confessou seus sentimentos. Por um algum tempo eles saíram juntos, mas Marina sempre fora muito tímida e apesar de se sentir bem ao lado de Will, nunca conseguiu demonstrar realmente o que estava pensando ou sentindo. Eles nunca chegaram a namorar, o máximo da relação que tiveram foram os encontros nos quais eles apensa andavam de mãos dadas, pois Marina não tinha segurança pra fazer algo mais que isso. Tanto é que o primeiro beijo de Marina não aconteceu com Will e sim com Thiago. Enfim, Will e Marina acabaram com aquilo que jamais começou. Marina foi forte e jurou para si mesma que nunca mais iria se apaixonar por outra pessoa, até Thiago aparecer e quebrar esse juramento.


Ponto final



Alice estava levando Marina até a casa de Will. Elas não sabiam se ele realmente estaria lá, mas se não estivesse, Marina estava disposta a ir até o fim do mundo se fosse necessário. Tudo para botar um ponto final de vez nessa história de arquivo morto e exorcizar de uma vez por todas o fantasma que a assombrava.
Chegando ao endereço que indicava o papel que Marina trazia consigo, Alice fez questão de perguntar:
-Você tem certeza que quer fazer isso mesmo?
-Absoluta!
-Então, boa sorte! Eu vou ficar aqui! Qualquer coisa dá um grito que eu vou te ajudar!
-Fique tranqüila Alice!- disse Marina achando graça no que a amiga dissera.
Marina desceu do carro e respirou fundo antes de tocar a campainha.
-Oi? – falou um rapaz saindo de dentro da casa.
-Oi Alex! – disse Marina reconhecendo o irmão mais novo de Will, que sempre foi muito parecido com ele, mas de alguma forma ela sabia que não era Will. – Você não deve estar lembrando-se de mim né?
-Hmm. – pensou um pouco o rapaz. – Você não era a amiga do meu irmão. Marina, não é?
-Isso mesmo!
-Acho que você quer falar com ele certo?
-Sim!
-Bom, Marina, ele não mora mais aqui.
-Entendo. – disse meio desapontada. – Você poderia me dar o endereço dele?
-Não sei não.
-Por favor, Alex! É um caso de vida ou morte.
-Já que é assim, eu vou anotar em um papel e já trago pra você.
-Ta bom!
Não demorou muito e Alex voltou trazendo um pedaço de papel.
-Aqui está!
-Muito obrigada Alex!
-Boa sorte, em seja lá o que for fazer!
-Obrigada!
E Marina voltou para o carro. Alice viu tudo.
-Ele não estava?
-Ele não mora mais aqui. O irmão dele me deu esse endereço. Você me leva até lá.
-Caraca! Eu nem sei onde fica esse lugar! – disse Alice agitada ao ver o endereço. – Porém! Nada que meu GPS não resolva! – exclamou empolgada.
-Você, como sempre me surpreendendo!
-Yo! Vamos nessa!
E seguiram as duas para o destino até então desconhecido por ambas. Pelo caminho Alice ficou conversando sobre outras coisas. Contava sobre o namorado e como ia seu relacionamento com ele. Disse também que estava prestes a assinar um contrato com uma editora para publicar seu primeiro mangá, com história e personagens originais.
Foram conversando distraidamente até que chegaram finalmente. Ambas estavam tensas demais. Aquilo que Marina estava prestes a fazer era algo que ela jamais fizera antes e Alice não estava acreditando que estava metida naquilo também. Marina não desceu imediatamente do carro. Ficou olhando para casa e imaginando “aonde eu fui me meter”. Alice finalmente quebrou o silêncio dizendo:
-Aqui estamos!
-Pois é!
-Você desistiu dessa loucura toda? – perguntou Alice otimista.
-Mas nem pensar!
-Hmm. Que pena! Bom, então o que está esperando? Vai lá logo, antes que eu ligue esse carro e leve a gente de volta para casa. – disse Alice sorrindo.
Marina respirou fundo novamente antes de sair do carro. Estava tão nervosa assim como a primeira vez que saiu com Will. Só que agora ela não era mais aquela garota boba e não iria só ficar parada olhando para cara dele. Ela havia se tornado uma mulher forte e confiante e apenas iria sair dali quando tudo estivesse acabado.
Ela tocou a campainha e esperou um pouco até que Will saiu na janela e olhou pra fora.
-Quem está ai? – perguntou ele sem ter definido bem quem avistava do lado de fora.
Mas Marina não respondeu. Não que ela estivesse nervosa demais a ponto de perder a voz. Ela fez aquilo para que ele saísse e viesse ao seu encontro.
-Só um minutinho! – disse ele depois de não obter respostas.
Nessa hora o coração de Marina bateu descompassado. Ela estava muito nervosa e olhou na direção do carro de Alice. Por um breve momento ela pensou em dar meia volta e ir embora dali, mas a imagem de Thiago veio em sua cabeça e a idéia se desfez, mantendo-a firme no lugar. Até que finalmente Will saiu de dentro da casa e foi se aproximando do portão.
-Marina? – disse ele parecendo não acreditar quem estava ali. – É você mesma?
-Pois é. Sou eu.
-Puxa! – ele abriu o portão. – O que você está fazendo aqui? Quero dizer. Não que eu não goste de ver você por aqui. Sabe, fiquei surpreso.
-Seu irmão me deu seu endereço. Será que podemos conversar um pouco? – disse ela firme nas palavras.
-Claro linda! Entre ai!
Marina entrou na casa de Will de uma forma automática que nem ela entendia o porquê de estar fazendo aquilo.
-Senta ai, linda! Não repara na bagunça. Eu acabei de voltar de uma viagem e ainda tenho que arrumar algumas coisas.
-Sem problemas. - disse ela séria.
-Como vão as coisas? Faz tanto tempo desde a última vez que nos vimos. Se eu me lembro bem você disse que iria se casar.
-Exatamente. – afirmou.
-Bom, linda, ou você continua a mesma de sempre ou aconteceu alguma coisa muito difícil e você não ta conseguindo me contar. – disse ele meio preocupado.
- Uma de suas deduções está correta, já a outra não muito. – ela fez uma pausa e acrescentou. – Eu mudei um pouco, arrisco até dizer que mudei muito. Tenho dois filhos agora, um menino de oito anos e uma menina de cinco. Ser mãe é uma experiência incrível! E ter ao seu lado uma pessoa que te ama e te entende de verdade para te ajudar é melhor ainda!
-Que bom! Se você mudou para melhor é algo ótimo! Mas isso quer dizer que você tem algo muito sério pra me contar. O que é?
-Você está acabando com minha vida. – respondeu ela angustiada, mas indo direto ao ponto.
-Pera ai! Como assim? Eu não fiz nada pra você! A gente nem se falou mais até hoje. – disse ele confuso.
-Você é que pensa que não fez nada. Há alguns anos atrás você plantou uma sementinha dentro de mim. Ela brotou e não era uma flor e sim uma erva daninha. E por mais que eu a podasse, essa planta venenosa teimava a crescer e me machucar.
-Olha Marina, eu não estou entendendo muito bem o que você está falando. Mas, se eu fiz tudo isso pra você como você diz, peço que me perdoe.
-Como eu vou acreditar em um pedido de perdão vindo de você? Francamente Will, se você não sabe o quanto mal você me causou como pode se desculpar assim? – perguntou Marina com raiva.
-Calma Marina! Se você quer que eu entenda o que você está dizendo com essa história de semente e erva daninha, então me explique de outro jeito ora. – disse ele perdendo a paciência. –Você vem até aqui pra brigar comigo e eu nem tenho idéia do que você ta falando.
-Você me fez acreditar em uma história aonde você e eu iríamos ser felizes. Você nunca sentiu nada por mim realmente não é? Você queria mesmo era se aproveitar da situação. Com certeza você deve ter pensado “nossa que menina boba, vou ficar com ela pra me divertir e depois invento uma desculpa e dou o fora”. Vai, confessa Will. – Marina estava com tanta raiva como nunca sentira na vida que nem parecia ser a gentil e frágil garota que Will conhecera.
-O que está acontecendo com você Marina? Por que você está dizendo uma coisa dessas para mim? Foi você quem disse que estava apaixonada por mim. Eu nunca forcei a barra para conseguir algo a mais com você.
-Você nunca forçou por que eu não te dava chance para isso. – disse ela interrompendo ele. – Eu estava completamente apaixonada por você. Fiz coisas que jamais faria. Mas eu nunca fui idiota o suficiente para deixar você se aproximar mais sem ter a certeza dos seus sentimentos por mim.
-Ah não! Eu gostava de você sim, mas você nunca me deu uma chance para provar isso.
-Chance? Você nem lutou por nós Will, preferiu ouvir sua mãe e ficar com uma garota que você nem conhecia. Se você realmente tivesse sentido qualquer coisa por mim, teria feito tudo para ficarmos juntos.
-Por um acaso você se arrepende de ter casado com esse cara ai? Ele não está te fazendo feliz é? Por isso você veio aqui atrás de mim com essa história toda pra tentar mais uma vez ficarmos juntos? – disse ele sinicamente sentando-se ao lado dela.
-Eu nunca me arrependerei de ter entregado meu coração para o Thiago! . – disse ela se levantando do sofá. – Ele sim é digno do meu amor. Ele sim lutou para ficarmos juntos e não foi covarde igual você.
-Repita isso. – disse ele pulando do sofá.
-Você é um covarde Will, sempre foi. Não sei como eu tão idiota de guardar um sentimento bom por você por todos esses anos.
-Aha! Então quer dizer que você ainda sente alguma coisa por mim, né? – disse Will levando a mão ao rosto de Marina.
-Não mais. – falou ela andando de costas para se afastar dele. – Você não passa de um fantasma do meu passado do qual eu quero me livrar. – disse aflita.
-Pois não parece que você quer se livrar de mim. – Will foi se aproximando mais dela, Marina continuou a andar de constas.
-Eu te odeio Will. Nunca pensei que fosse sentir tamanha raiva de alguém assim, ainda mais por alguém que eu amei tanto.
-Odeia nada. Se odiasse, você não iria vir me procurar. O seu marido sabe que você está aqui? – perguntou ele em um tom ameaçador.
-Não sabe. Mas eu vou contar pra ele o que fiz. – ela estava sem saída, estava encurralada contra a parede.
-Vai contar até isso? – e Will a beijou a força.
Marina tentou se libertar dele, mas foi uma tentativa inútil. Ele era bem mais forte que ela, e ainda ela se encontrava contra a parede. Mas no momento que ele parou de beijá-la, Marina lhe deu um tapa.
-Seu idiota! – disse ela o empurrando. Marina estava com lágrimas nos olhos.
-Duvido que você odeie. Você sempre quis isso e muito mais. – disse ele tentando se aproximar dela outra vez.
-Um dia pode até ter sido verdade o que você disse.
-Ora, ora! – riu. – Pobre Thiago! É esse mesmo o nome dele não é?
-Do que você está falando seu cretino?
-Não se finja de inocente agora. Você veio até aqui, atrás do cara que você amou por tanto tempo e o beijou. Você traiu seu maridinho Marina.
-Não! – gritou ela. – Isso não é verdade. Maldito dia em me apaixonei por você. Você nunca mereceu meu amor. O Thiago sim! Ele sempre me aceitou e me amou do jeito que eu era. Ele consegue me fazer rir sem ter que contar piadas idiotas. Ele sempre me ajuda e esta ao meu lado quando eu preciso. Por muito tempo eu pensei que ao ficar pensando em você o estava traindo. E ele nunca mereceu isso! Nunca! – dizia ela chorando. – Foi uma idiotice minha ter vindo aqui, um erro do qual eu vou ter que arcar com as conseqüências. Mas agora eu tenho certeza que eu não te amo mais. Meu coração está livre de você finalmente e pra sempre. - disse enxugando as lágrimas.
-Isso não é verdade e você sabe disso! Você está dizendo isso só da boca pra fora! Só para fazer eu me sentir mal!
-Eu te odeio Will! Te odeio! – falou indo para porta, mas ele a puxou pelo braço.
-Olhe dentro dos meus olhos e diga isso.
Marina nunca pensou que aquele dia chegaria o dia em que ela odiaria o homem que fora seu melhor amigo e pelo qual ela se apaixonara um dia.
-Eu te odeio Will. – disse ela com toda certeza do mundo, sem gaguejar, sem chorar. Foi sincera como sempre.
Ele a soltou e ela saiu dali e entrou no carro da amiga muito séria.


De volta


-E então? Como foi? – perguntou Alice empolgada, ansiosa e preocupada ao mesmo tempo.
-Acabou Alice! Acabou! Agora me tira daqui ta?
-Como quiser!
Marina ficou calada por um bom tempo, olhando para o nada. Alice impaciente quebrou por fim o silêncio:
-Você quer falar sobre o que aconteceu? Podemos parar em uma lanchonete. Estou morrendo de fome. – sugeriu Alice.
-Por mim tudo bem. – foi só o que Marina conseguiu dizer naquele momento.
Alice estacionou o carro em frente a uma lanchonete. As duas entraram e se sentaram, pegando o cardápio para ver o que pedir.
-O que você vai querer? – perguntou Alice.
-Preciso de um energético e acho que um açaí vai servir.
-Hmm. Açaí é um bom energético e uma delicia! Eu vou pedir um x-burguer e um suco de laranja.
-Vamos pedir então? – disse Marina se levantando da mesa e indo ao balcão fazer o pedido.
Enquanto a comida não vinha, Alice começou a conversar com Marina, já que ela estava muito calada, e Alice estava muito curiosa e ansiosa e não estava agüentando mais aquele silêncio.
-Marina pelo amor de Deus me conta logo o que te aconteceu. Eu odeio suspense.
-Ele me beijou Alice. – disse ela séria.
-O quê? – gritou inconformada com o que acabara de ouvir. – Como assim?
-Ele me encurralou contra a parede e me beijou a força. Aquele idiota.
-Ah cretino! Como ele ousou fazer isso com você?
-Não se preocupe Alice. Agora eu tenho a certeza que não sinto mais nada por ele. Disse a ele, olhando bem nos fundos de seus olhos que eu o odiava.
-Isso mesmo! Aquele safado. E agora? Você dirá tudo isso pro Thiago?
-Claro! Se eu deixar isso passar despercebido de nada terá valido esse encontro desagradável. Mas confesso Alice que estou com medo.
-Eu entendo seu medo. Se eu estivesse no seu lugar também estaria. Mas caso o Thiago esbraveje com você diga a ele que eu estava junto o tempo todo e que nada aconteceu! Só a discussão.
-Foi o que eu pensei em dizer. Falar que você estava junto e contar somente sobre a discussão. Isso tudo será um grande baque e tanto pra ele. Mas eu não posso omitir o fato que aquele idiota me beijou. Eu não quero carregar essa mentira pro resto da minha vida.
-Você não pode falar sobre o beijo! Nem pensar! – advertiu Alice. – O seu casamento pode acabar por causa de uma porcaria.
-Como você disse Alice, isso é uma porcaria. E sendo assim algo tão podre não poderá acabar com o nosso casamento. Eu não vou deixar isso acontecer. Vou lutar a guerra que for preciso para provar ao Thiago que o Will não significa mais nada pra mim, e que meu amor só tem um verdadeiro dono.
-Marina, desculpe o que vou dizer, mas você já foi mais inteligente. Pensa um pouco Ma. Não deixe a adrenalina do momento, afetar seu lado racional. Isso não vai dar certo. Se você for entrar nessa guerra, como você falou você estará pedindo pra morrer. Se o beijo não significou nada pra que o mencionar? Ah não ser que... - Alice parou por um momento querendo se livrar da idéia que estava tendo, mas não conseguiu, precisou falar. – Marina, o beijo não significou nada mesmo pra você não é?
-Claro que não Alice! – respondeu bravamente inconformada com o que ouvia. – Depois de tudo o que ele me falou, depois de descobrir realmente quem ele é, aquele beijo foi a gota d’água. A coisa mais nojenta que já me aconteceu.
-Pois então amiga. Esquece essa idéia de falar sobre o beijo pro Thiago. Ele já vai sofrer demais por saber que você foi procurar o Will. E além do mais, você mesma disse que não queria mais magoar ele.
Marina refletiu por um instante nas palavras de sua amiga e se deu conta que Alice tinha razão.
-Você está certa.
-Ah! Finalmente te convenci de algo!
-Será que podemos ir agora? Tenho que passar na casa dos meus pais para pedir que eles fiquem com as crianças esta noite.
-Vamobora! Vai ser melhor mesmo seus filhos ficarem com seus pais! Assim você e o Thiago poderão conversar mais sossegados!
-Hei Alice!
-O que foi?
-Você pode me dá uma carona até em casa também?
-Claro Ma! Eu te deixo na casa dos seus pais, vou pra casa tomar um banho e depois volto pra te buscar!
-Obrigada Alice! – Marina sorriu.
Chegando à casa dos pais, Marina fica feliz em ver os meninos brincando de guerrinha com seu pai. Nicolas, o filho de sua amiga Helen estava brincando com eles também. A sala estava parecendo um verdadeiro campo de guerra.
-Oi filha! Divertiu-se? – perguntou Marcelo.
-Sim pai! E pelo jeito vocês também!
-Com certeza!
-Cadê a Aninha?
-Ela está lá fora com sua mãe. Acho que estão brincando de boneca.
-Pai! Será que as crianças podem dormir aqui hoje?
-Claro filha! Aconteceu alguma coisa?
-Nada com o que se preocupar. Pode ficar tranqüilo. –respondeu calma.
-Então está bem.
-Eu vou lá dar um beijo em minha filhota. Estou morrendo de saudades.
-Hei mãe! – chamou André. – E eu?
-Oi André! – disse ela chegando perto do filho. –Pensei que fosse um soldado inimigo por isso não me aproximei. – E deu um beijo e um abraço em André.
-Que nada mãe! O vovô que é o inimigo. Nós dois somos ingleses.
-Minha nossa! Quer dizer que eu estava falando com um alemão?
-Isso mesmo
-Melhor eu fugir, antes que ele venha atrás de mim! – disse ela brincando.
-Se cuida soldado!
-Sim senhor capitão! – disse ela batendo continência e saiu ao encontro de Ana.
Chegando ao rancho, viu que sua mãe estava deitada na rede com Aninha e lhe contava uma história.
-Oi!
-Oi mamãe! – falou Aninha estendendo os braços.
-Tudo bem filhinha? – perguntou Marina já com a filha no colo.
-Tudo bem!
-E você mãe? – perguntou Marina para dona Regina.
-To bem também!
-A vovó estava me contando uma história! –contou Aninha.
-Olha só que legal!
-Mamãe você vai terminar de contar a história pra mim né?
-Claro meu bem! Só que hoje você vai dormir aqui com a vovó ta?
-Mas e minha história mãe?
-Posso te contar agora? Ai na hora de dormir sua vovó termina de ler essa ai pra você, pode ser?
-Pode vovó? – perguntou Aninha para a avó.
-Claro meu bem! Eu vou preparar o café! – e a mãe de Marina foi pra cozinha, deixando ela com Aninha no rancho.
-Vamos nos deitar aqui na rede igual você fez com a vovó está bem?
-Sim!
-Preparada meu anjinho? Posso começar?
-Pode!


O príncipe



“A princesa Marina continuou a se encontrar com suas amigas e Will também no lago todos os dias depois das aulas.
Certo dia Marina pediu para as amigas que esperassem por ela em outro lugar sem ser no lago, pois ela queria falar uma coisa para Will.
-Oi Marina! – disse Will ao vê-la chegar.
-Oi Will!
-Onde estão as meninas?
-Pedi para que elas me esperassem na praça, pois precisava conversar com você.
-Pois dia. Aconteceu alguma coisa? Você está bem?
-Will, eu não sei quanto a você, mas meu coração bate muito forte quando estou contigo.  E quando não estou meus pensamentos vão te buscar dentro de minhas mais queridas lembranças. Quero dizer Will que eu infelizmente estou apaixonada por você.
-Uau! Puxa! Isso é bom não é? Quero dizer, seria se não fosse por causa desse “infelizmente” que você disse e eu não entendi.
-Você sabe quem eu sou Will, digo, você me conhece de um jeito que ninguém mais conheceu antes. Mas você sabe também o que eu sou e isso que torna tudo tão difícil pra mim.
-Hmm. Entendo. Você é uma princesa e eu não sou nenhum príncipe.
-Você não sabe o quanto é difícil pra eu conviver com isso. Amar-te e não poder ser sua. Queria que você soubesse disso antes que eu nunca mais o veja.
-Como assim? Você vai embora?
-Sim Will. Foi o que eu decidi. Vou para outro reino estudar História da Arte e procurar aquietar meu coração. Não quero esquecer-se de ti, mas terei que fazê-lo pelo nosso próprio bem.
-Isso não é justo! Por que você me contou isso?
-Me desculpe Will. Pensei que se te revelasse o que se passa em meu coração ouviria uma algo de ti que me fizeste ficar aqui.
-Quer dizer que se eu disser que gosto de você, você ficará? Mas eu não posso fazer isso. Você tem sua vida. Quem a gente quer enganar. Jamais poderíamos ficar juntos.  Você sabe muito bem que isso seria impossível.
-Isso é tudo que você tem para me dizer?
-Sim Marina. É tudo.
-Então Will, digo-lhe que foi um prazer conhecer-te. Foste um grande amigo e desejo que seja muito feliz. – e ela foi embora.
Ao ver suas amigas se sentiu melhor, com elas ela pode desabafar.
-Se ele não fez nada para ficar com você é por que ele não te ama também Marina. – falou Alice.
-Eu sei Alice. Se ele realmente gostasse de mim lutaria para ficarmos juntos, mesmo que isso fosse impossível.
Depois desse dia, Marina foi embora para o outro reino. Por lá ela acabou conhecendo um príncipe muito bom e gentil que a ajudava muito em seus estudos. Thiago era seu nome. E aos poucos ele foi percebendo que Marina era a princesa que ele sempre esperou.
Um dia ao passearem por um lindo bosque, Thiago toma coragem de dizer o que sentia.
-Marina, preciso dividir contigo algo que está me deixando inquieto.
A princesa a muito já estava se sentindo encantada pelas qualidades que Thiago vinha lhe mostrando a cada dia que se passava.
-O que foi Thiago? Diga-me logo! Estou ficando preocupada.
-Não se preocupe Marina. Sou eu quem deveria me preocupar. Pois temo que o que eu sinto pode não te agradar.
-Oh céus! – disse ela se sentando em um frondoso banco.
Thiago ajoelhou-se e juntou as mãos de Marina com as dele.
-Marina! Estou tomado pelo mais puro dos sentimentos. Você, tão doce e delicada moça conquistou esse meu bruto coração. Já há algum tempo que te olho com outros olhos e suspiro pelos cantos. Eu estou completa e perdidamente apaixonado por ti.
-Thiago você é um rapaz tão bom e carinhoso. Sempre esteve ao meu lado desde que aqui cheguei. Temi que nunca fosse ouvir de sua boca tal revelação. Finalmente eis que seu coração se abre pra mim enchendo-me de esperanças e alegrias. Não sabes o quanto ansiei por ouvir estas palavras.
-Querida Marina, quanta alegria sinto em saber que meu amor é correspondido por ti. Por favor, me aceite como seu companheiro?
-Oh Thiago! – disse ela se levantando e soltando as mãos de Thiago. – Queria tanto poder dizer que sim.
-Não diga isso Marina. Por favor, não negues meu amor por ti. Se existe outro a qual seu coração pertence, estou disposto a lutar para que seu amor somente a mim pertença. Não se afaste de mim, minha doce Marina. – disse ele se levantando do chão e segurando as mãos de Marina junto ao seu peito. – Meu coração sofrerá muito se nunca mais te vires novamente.
-Eu não me afastarei de ti. Você me faz tão feliz. Suplico-te Thiago, me ajude a esquecer do meu passado. Arrebate meu coração pra ti. Quero ser só sua. Pertencer-te de corpo, alma e coração.
Thiago levou a destra ao rosto de Marina, que ao sentir seu toque fechou os olhos e estremeceu. Após isso o primeiro beijo tocou seus lábios e seu coração ficou repleto de alegria.
Marina conseguiu esquecer de vez Will e casou-se com Thiago algum tempo depois. Tiveram dois lindos filhos e viveram muito felizes.”
-Que história linda mamãe!
-Sim meu anjo! Muito linda!
-Marina! – chamou-a Marcelo. – Alice esta te chamando lá no portão.
-Estou indo pai! Aninha vem com a mamãe. Vamos falar oi para tia Alice e depois me dê um gostoso beijo para eu poder ir embora ta? – falou Marina pegando a filha no colo.
Marina abriu o portão e convidou a amiga para entrar. Quando Alice entrou na casa dos pais de Marina as crianças vieram correndo lhe abraçar e dizer “oi”.  Alice nunca gostou muito de crianças, sempre jurou que nunca iria ter filhos, porém gostava dos filhos das amigas que eram muito educados e gostavam bastante dela.
-Venha Alice. Tome um café conosco de depois iremos.
-Beleza!
Após o café, Marina se despediu dos filhos com um abraço de urso e muitos beijos. Abraçou também seu pai e sua mãe e pediu que mandassem um beijo para sua irmã Daiane se caso a vissem. A irmã de Marina trabalhava praticamente o dia inteiro numa clínica veterinária. E nas horas vagas ajudava os animaizinhos em abrigos da cidade.
-Vamos nessa Alice. Tchau meus amores, se comportem. Amanhã a mamãe vem pegar vocês.
-Tchau mãe! – gritou os dois em coro.


A conversa



Alice deixou Marina em casa e disse que se acontecesse qualquer coisa era só ligar pra ela. Marina agradeceu e entrou em casa.
Tudo estava quieto. Já eram sete e meias e pelo visto Thiago ainda estava dormindo. Marina estava muito nervosa, resolveu tomar um banho para relaxar, afinal, foi um dia e tanto e ainda tinha muita coisa para acontecer. Entrou com cuidado no quarto e pegou uma roupa confortável para se vestir. Após isso ela foi pra cozinha, aonde colocou uma lasanha no micro ondas para Thiago jantar assim que acordasse. Recolheu a roupa do varal e se sentou na sala para descansar um pouco, pegou um livro e tentou ler algumas páginas, mas não estava com cabeça para leitura. Pegou então seu celular, pois os fones de ouvido e ficou escutando música até pegar no sono.
Logo acordou, quando escutou barulhos de pratos na cozinha. Era Thiago que havia acordado. Já era quase dez horas. Ela se sentou no sofá, respirou fundo e decidiu esperar Thiago jantar primeiro antes de começar a falar tudo o que aconteceu. Ouviu então o barulho da torneira, esse era o sinal e que ele provavelmente havia terminado de comer e estava lavando a Luca. Marina se levantou do sofá e andou silenciosamente até a cozinha. Thiago se virou para limpar a mesa, quando viu Marina em pé, encostada no batente da porta.
-Oi meu amor! – disse ele surpreso, indo a sua direção. – Não quis te acordar. – e deu-lhe um beijo. – Aliás, as crianças ficaram com seus pais?
-Sim. Achei melhor deixá-las lá. Preciso conversar com você.
Thiago fez uma expressão de preocupação e disse:
-Só vou acabar de arruma aqui. Espere-me na sala que já vou pra lá.
Marina deu meia volta e se sentou novamente no sofá, suas mãos não paravam de suar. Com certeza aquele seria o momento mais tenso de sua vida.
Thiago entrou na sala e se sentou na mesinha de centro pra ficar de frente pra Marina. Ele pegou nas mãos dela e disse.
-Se é sobre o que aconteceu ontem Marina, esquece. Escuta, eu fiquei pensando o dia inteiro nessa confusão toda. Ma, você me escolheu pra ser seu companheiro, independentemente de qualquer outro sentimento dentro de você, você Marina me escolheu. Não importa o que você sentiu por esse cara, o que importa é o que passamos juntos, o que construímos juntos. Nossos filhos. Você e eu. Nós quatro formamos uma família linda e nos amamos muito. Nós sempre fomos muito unidos, um sempre apoiou o outro. O passado passou, o presente é o que realmente importa agora. E o que importa é o quanto nos amamos. O que importa é que estamos juntos e somos felizes. Eu te amo Marina! Eu te amo muito! – disse a beijando. Ambos estavam muito emocionados.
-Eu também te amo Thiago! Muito mesmo! E hoje eu tive a certeza que todo amor que está no meu coração só pertence a você! A você meu amor!
Thiago ficou feliz ao ouvir aquilo e mesmo sem entender muito bem o que Marina quis dizer ele a abraçou com todas as forças.
-Thiago, eu preciso te contar uma coisa. –disse ela se afastando dele e levantando-se do sofá. – Eu fui ver o Will hoje.
O sorriso que estava estampado no rosto de Thiago desapareceu ao ouvir essas duras palavras.
-Por que Marina? Por que você fez isso comigo? – gritou enquanto ia para o quarto.
Marina, o seguiu desesperada, sentia que estava preste a perdê-lo para sempre.
-Por favor, Thiago me escute. Eu vou te explicar. – dizia ela desesperada olhando o que ele fazia. Thiago andava de um lado pro outro passando a mão nos cabelos e mexendo em coisas que encontrava pela frente.
-Explicar? Explicar o que? Que você foi atrás dele pra dar o que lhe pertencia e se livrar de uma vez do fardo que você carregava de não conseguir me amar completamente? É isso Marina? – gritava ele ao andar pra lá e pra cá.
-Thiago, por favor, me escute. – gritou ela desesperada. – Não é nada disso que você está pensando, eu juro.
-E como você sabe no que eu estou pensando heim? – disse olhando nos olhos dela, a poucos centímetros.
-Você tem todo direito de pensar o pior de mim. Afinal eu não deveria ter ido lá. Foi um erro o que eu fiz. Eu sabia que você iria ficar zangado comigo. Mas eu precisava te provar que ele não significa nada mais pra mim. – Marina dizia aquilo com o coração em prantos, mas se manteve séria e firme no que dizia.
-Como assim? Como você faz uma coisa dessas comigo e quer que eu acredite que ele não significa mais nada pra você?
-É isso que estou tentando te falar. Por favor, me escute. – gritou ela.
Thiago se sentou na cama e colocou as duas mãos na cabeça. Marina vendo o estado em que ele se encontrado, parecendo estar lhe dando uma chance para se explicar, se ajoelhou aos seus pés e colocou as mãos nos joelhos dele.
-Eu fui uma cega Thiago. A Alice sempre tentou abrir meus olhos, mas sempre me recusei a enxergar. Hoje, quando ela me levou até a casa dele, finalmente me toquei que por nenhum segundo aquele idiota mereceu o que eu sentia por ele. Ele sempre fingiu. É um verdadeiro lobo em pele de cordeiro. Ele só queria se aproveitar de meus sentimentos para conseguir o que queria. Mas nunca conseguiu nada. Ele nunca me amou de verdade. E eu fui uma idiota esse tempo todo acreditando que ele poderia sentir algo de mim. Hoje tive a prova que aquele cara não presta e que nunca foi digno de meus sentimentos. Ele me beijou a força. – acabou confessando. – Senti nojo dele. Um ódio que nunca havia sentido na vida. Pra mim ele não existe mais.
Thiago tirou as mãos do rosto e aparentemente já mais calmo disse:
-Ele só te beijou a força? Não fez mais nada com você? Não te machucou ou algo do tipo? – perguntou preocupado.
-Não ele não fez mais nada, a não ser isso. – disse ela mostrando a marca dos dedos de Will que ficaram em seus braços quando este a segurou com força para beijá-la. – Mas isso não é nada. Estou bem.
-Aquele filho da mãe! – Thiago furioso, se levantou da cama e foi para sala. – Quem ele pensa que é para machucar minha esposa? – e pegou a chave do carro.
-Thiago não faça isso! – disse apavorada segurando a mão dele.
-Isso não pode ficar assim Marina. Esse imbecil merece uma lição.
-Por favor, Thiago! – disse entrando na frente dele e olhando em seus olhos. – Você não pode dirigir assim e além do mais você nem sabe onde ele mora.
-Oh Marina! – disse largando a chave e abraçando Marina. – Você nunca deveria ter ido lá pra provar nada pra mim.
-Me perdoe Thiago. Eu só queria lutar pelo seu amor, assim como você lutou para ficarmos juntos. Eu te amo e não queria que esse fantasma continuasse nos assombrando e destruindo minha vida.
-Nós poderíamos ter acabado com esse fantasma juntos. Você se arriscou muito indo lá. Eu morreria se algo te acontecesse. – estavam ainda abraçados.
-Não diga isso. A Alice estava por perto, qualquer coisa eu gritava e ela iria fazer o maior escarcéu pra me ajudar. – eles riram.
-É verdade. Mas mesmo assim, por favor – pediu ele olhando nos olhos dela. – nunca mais faça isso comigo. Nunca mais procure esse sujeito. Promete-me?
-Nem precisa pedir duas vezes. Eu prometo Thiago. Prometo do fundo do coração. É só você quem eu amo e é só você quem quero ao meu lado para sempre.


Uma visita



E os dois começaram a se beijar. Um carinho tão bom ela recebia de Thiago naquele momento, que até parecia a sua primeira vez em seus braços. Thiago sentia o coração de Marina bater tão forte, que se lembrou da primeira vez que a beijara. Estavam se amando como da primeira vez. Até que a campainha toca e eles param de se beijar.
-Qual é? – reclamou Thiago. – Vamos deixar que toquem e fingir que não tem ninguém em casa. – começou a beijá-la de novo, mas a campainha insistiu.
-É melhor a gente ver quem é Thiago. Pode ser urgente.
Thiago acendeu a luz e abriu a porta. Marina perguntou:
-Pois não? – mas não obteve resposta.
Thiago fechou a porta, mas a campainha voltou a tocar.
-Pensei que tivesse ido embora.
-Vamos até o portão Thiago, daqui não dá para ver nada.
-Está bem.
Eles foram até o portão de braços enganchados, chegando lá tiveram um susto ao ver quem era.
-Will? – falou Marina surpresa.
-Oi! – disse ele com a maior cara de pau.
Thiago estava quieto, quieto até demais.
-Como você conseguiu meu endereço?
-Seus pais me deram quando disse que tinha um presente para te dar.
-O que foi uma mentira creio eu.
-Não. Não é. Trouxe-lhe essa caixa de bombons como um pedido de desculpas.
-Pois você perdeu seu tempo e seu dinheiro vindo aqui.
-Não. – interrompeu Thiago abrindo o portão. – Não Marina, ele não perdeu tempo. Pelo contrário. Poupou o meu. – e do nada Thiago dá um baita soco no rosto de Will.
-Seu imbecil. – esbravejou Will meio tonto por causa do soco.
-Thiago! – gritou Marina.
-Está tudo bem Marina! Fique tranqüila e volte lá pra dentro que eu dou um jeito nesse babaca.
-Você é que pensa! – Will disparou um soco em Thiago.
-Não! – gritou Marina aparando Thiago. –Parem com isso, por favor!
-Hei Marina! Você contou pro seu maridinho o que aconteceu?
-Cale sua boa seu idiota! – gritou Thiago indo pra cima de Will.
Marina tentou separá-los, mas não conseguiu. Ambos se socavam e xingavam. Até, que de repente um carro de polícia apareceu ali.
-Hei vocês dois! Parem com isso! – ordenou um dos policiais separando-os.
-Senhor esse cidadão veio até aqui em casa para perturbar minha esposa. – disse Thiago todo machucado.
-Isso é verdade minha senhora?
-Foi só um mal entendido senhor policial. Será que o senhor pode pedir para esse cara ir embora daqui e não voltar nunca mais por que eu não suporto olhar na cara dele nem mais um segundo?
-Você escutou a moça né? Vá embora agora mesmo ou senão eu prendo os dois por perturbação da ordem pública.
-Sinto muito Marina. De verdade. – disse Will subindo em sua moto e indo embora.
-Obrigada senhor policial! –agradeceu Marina.
Ela entrou em casa com Thiago, que se sentou no sofá enquanto ela pegava o telefone para chamar um táxi.
-O que você está fazendo?
-Vou chamar um táxi. Você precisa ir para o hospital.
-Eu estou bem Marina! É sério! – dizia gemendo.
-Não está não. E não discuta comigo mocinho.
O táxi chegou logo. Thiago foi medicado, levou alguns pontos, mas nada grave. Era quase uma hora da madrugada quando chegaram em casa. Thiago caiu na cama e dormiu. Marina foi pra sala, pegou o celular e ligou para Alice.
-Te acordei Alice?
-Não Ma. Esqueceu que todo dia eu vou dormir tarde? – riu Alice. – Como foi o papo com o Thiago?
-Como você acha? – perguntou Marina com a voz calma.
-Bem, eu estou achando mil e uma coisas diferentes. Mas pelo jeito não dever ter sido tão trágico, né? – respondeu ela reparando na calma da amiga.
-E não foi. É claro que ele brigou comigo. Pensei até que ele fosse ir embora. Mas consegui acalmá-lo e fazê-lo me ouvir. Mas depois que mostrei a marca que Will deixou nos meus braços ele surtou. Queria ir atrás do Will e se eu não tivesse impedido ele teria ido mesmo. Mas a vida é tão engraçada que duvido que você adivinhe o que aconteceu depois.
-Ai meu Deus! Marina e seus mistérios! –comentou rindo. – Não faço a mínima idéia do que aconteceu. –disse por fim.
Marina riu achando graça na ansiedade da amiga. Depois lhe contou sobre o fato de Will te aparecido na casa dela enquanto ela e Thiago faziam as pazes.
-Não! Jura? – gritou Alice do outro lado da linha.
-Ele veio aqui para me pedir desculpas e me entregar uma caixa de chocolates.
-Mas que cara de pau! Aposto que o Thiago ficou uma fera! – comentou revoltada com a situação.
Marina então começou a comentar sobre o silêncio assustador de Thiago e a reação que ele tivera depois dando um soco em Will.
-Oh céus! – disse Alice explodindo de emoção. – Que da hora! Conta mais. – pediu.
Marina contou da briga e dos policiais que apareceram de repente.
-Caramba! Que noite! – comentou Alice respirando fundo. – E os dois foram parar na delegacia?
Marina explicou que não foi preciso, pois Will entendeu o recado do policial. E disse também que acabou chamando um táxi para levar Thiago pro hospital, mas que não era nada grave, ela que estava preocupada demais.
-Já estamos em casa e o Thiago está dormindo. – finalizou.
-Graças a Deus! Bem feito para o Will. Se eu tivesse ai teria ajudado o Thiago. – comentou eufórica.
-Eu sei que sim. – concordo rindo da idéia da amiga. – Bom, acho que vou tentar dormir agora, daqui a pouco tenho que passar na casa dos meus pais para buscar meus filhos.  Será que você não faz esse favor pra mim Alice? Pegar as crianças e trazê-las pra cá?
-Claro que sim, sem problemas!
-Obrigada Alice! Fico te devendo mais essa! Assim poderei descansar um pouco e vigiar o Thiago para que ele não faça nenhuma besteira. Ah, e você poderá ficar para almoçar conosco! O que acha? E não aceito um não como resposta. – riu.
-Não se preocupe Marina. E eu lá sou de negar um almoço na casa da minha melhor amiga?! – riu Alice.
-Que bom! Então até mais!
-Até mais!
Assim que desligou o telefone, Marina foi para seu quarto, deitou-se ao lado de Thiago e logo dormiu.


Recomeço



Às nove horas Thiago acordou procurando fazer barulho e foi para cozinha preparar o café da manhã. Não adiantou muito, logo Marina apareceu por lá.
-Bom dia Thi! – disse dando um beijo nele.
-Bom dia Ma! Tentei não te acordar!
-Não se preocupe! Já dormi o suficiente! E você? Como se sente?
-Olha tirando o fato de eu estar me sentindo como se um trator tivesse passado por cima de mim. – disse rindo.
-Tadinho de você!  - disse ela dando um beijo em um dos machucados de Thiago. –Mas você não tinha que ter feito aquilo.
-Não me repreenda Marina. A culpa foi sua. – disse sério.
-Thiago, por favor, me des...
-É brincadeirinha! – disse ele dando risada.
-Seu bobo! – ela se levantou e o abraçou. – Você é meu herói sabia?
-Pensei que seu herói fosse seu pai!
-É verdade. Você é meu príncipe! – e o beijou.
-O que vamos falar para as crianças quando me virem assim? – perguntou preocupado.
-Eu já pensei nisso. Não se preocupe.
-O que seria de mim sem você hein Marina? – disse ele beijando-a. - Que horas que você vai buscá-los?
-A Alice vai trazer eles. Alias, ela vai ficar para almoçar conosco.
-Que ótimo! Bom, isso quer dizer que temos um tempinho para ficarmos juntinhos. –cochichou ele no ouvido de Marina.
-Seu malandrinho! – disse ela olhando pra ele e colocando as mãos em volta do pescoço dele. – Boa tentativa! Mas esqueceu que um trator passou por cima de você?
-Ah Marina!
-Thiago! Vamos ter bastante tempo pra isso depois que você ficar bom ta?
-Isso é tortura.
-Eu já disse. Ninguém mandou você faze aquilo.
-Ta bom, ta bom! Você venceu! Mas e ficarmos juntinhos no sofá assistindo filme?
-Ok! Mas só um pouquinho. Eu tenho que fazer o almoço!
-Um pouquinho já ta bom! – disse ele com um sorrisinho malicioso.
-Pode tirar esse sorrisinho do rosto mocinho!
-Como você é maldosa!
Foram para sala. Marina ficou um pouco com ele como prometido. Depois foi para a cozinha preparar o almoço. Deu meio-dia e a campainha tocou.
-Deixe que eu atendo! – gritou Marina da cozinha. – Você fica quietinho ai! – disse ela empurrando devagar Thiago.
-Marina eu só estou meio machucado, não morri não viu? – disse rindo.
Ela deu de ombros e foi abrir o portão. Era Alice com as crianças.
-Oi mamãe! – gritou Aninha.
-Oi meu anjo! – falou Marina abrindo o portão. – Como vocês estão? – perguntou abraçando André.
-Bem mãe. – respondeu ele.
-Estão é precisando de um banho isso sim. Obrigada por ter trazido eles Alice! Espero que eles tenham se bonzinhos.
-Uns amores como sempre! – respondeu Alice.
-Entre aqui. Vou deixar você na companhia ilustre do Thiago se você não se importar.
-Sem problemas!
-Oi papai! – gritaram as crianças quando viram o pai e pularam em cima dele.
-Ai! – ele resmungou. – Oi meus anjos!
-O que aconteceu papai? – perguntou Ana assustada.
-Credo pai! Quem te bateu? – perguntou André.
-Ninguém bateu no pai de vocês meus amores. – respondeu Marina. – Seu pai foi tentar jogar bola e acabou se machucando todo.
-Mas meu pai não gosta de futebol. – disse André.
-E agora realmente não gosto mesmo meu filho. – e eles riram.
-Venham crianças! Vamos tomar um banho gostoso pra almoçar com a Tia Alice e com o papai! – disse Marina pegando na mão dos filhos. – Já voltamos! Fique a vontade Alice!
-Oi Alice! – cumprimentou por fim Thiago depois que as crianças saíram.
-E ai Thiago! Caraca você ta horrível!
-Nem me fale!
-Vamos ao que interessa! Então seu Thiago deu um sacode bonito no invasor hein?
-Ual! Como as notícias voam! – riu ele.
-Pra você ver! Quem disse que notícia boa não chega rápido também?
-Por um minuto esqueci com quem estava falando! Pra você com certeza essa é uma boa notícia!
-Sem dúvida meu caro!
-Pra falar a verdade eu gostei também!
-Mas me conta, qual é a sensação de bater em um cara assim?
Thiago riu novamente e respondeu:
-Foi uma sensação bem prazerosa! De dever cumprido sabe? Uma questão de honra. Se é que você me entende.
-Te entendo perfeitamente! Não só entendo como eu queria estar no seu lugar dando umas poucas e boas nele! Eu achei sua atitude super legal!
-Você também não vai nem um pouco com a cara dele né?
-Depois que aquele cretino aprontou as canalhices com a Ma, eu jamais o perdoei!
-Não entendo o porquê de a Marina ter continuado gostando dele depois do que ele tinha feito pra ela. Por que ela nunca te deu ouvidos hein?
-É difícil alguém sentimental como ela esquecer uma antiga paixão. Mulheres são sentimentais quando amam, mas ainda bem que ela desencanou de tudo aquilo.
-É o que eu espero mesmo.
-Ela não suporta mais ele, fique tranqüilo!
-Não que eu não acredite nela. Sabe o que é? Acho que fiquei meio traumatizado. Poxa! Aquele idiota a beijou! E por mais que eu acredite nela... - Thiago fez uma pausa para procurar as palavras certas. – Bom, sei lá. Acho que estou com medo à toa né?
-Medo de um beijo roubado? Não ligue pra isso, não foi um beijo de amor. Sua preocupação é pura paranóia. – gargalhou Alice.
-Acho que estou ficando louco mesmo. – riu. – Como melhor amiga dela você a conhece melhor do que eu e se tivesse algo errado você me contaria certo?
-Pois sim! Mas acho que se tivesse algo de errado, ela mesma te contaria. Por que você acha que tem algo de errado com ela?
-Nada não. É que como ela me evitou hoje cedo talvez pudesse ter algo, sei lá. Vai ver é só por causa dos machucados, como ela mesma disse.
-Então não há com o que se preocupar, não deve ser nada grave. Foi só a emoção do momento.
-Você tem razão. – Thiago concordou rindo.
Marina volta com as crianças.
-Prontinho! Podemos almoçar agora! Conversaram bastante? – sorriu Marina.
Todos foram para a cozinha. Marina era vegetariana. Porém Thiago e as crianças não, mas ela nunca teve problemas por causa disso. Fez uma deliciosa macarronada, salada de maionese e uma torta de frango que ela havia comprado. Sentaram-se a mesa para almoçar e conversaram um pouco mais.
André convidou Alice para jogar videogame com ele, ela é claro aceitou. Jogaram um pouco e depois Alice foi embora.
Ana foi para seu quarto brincar com suas bonecas. André pegou seus cadernos para fazer algumas tarefas da escola. Marina e Thiago ficaram na sala assistindo televisão.
-Marina! – sussurrou ele que estava deitado no colo dela assistindo a TV.
-Diga.
-Quer casar comigo de novo? – perguntou sussurrando.
-Como é? – perguntou ela parecendo não acreditar no que ouvia.
-É isso mesmo que você ouviu. E então? Você aceita?
-Você está falando sério Thiago?
-Claro! Quero começar tudo de novo com você! E farei isso quantas vezes forem preciso! Você é o amor da minha vida! Quer se casar comigo de novo Marina? – voltou a repetir a pergunta, agora olhando em seus olhos.
-Sim Thiago! – respondeu emocionada. E se beijaram intensamente.

O passeio



Chegamos então finalmente ao dia das crianças. Aninha acordou mais cedo do que todos. Ela cantarolava em seu quarto tentando se arrumar sozinha. A casa estava em silêncio, todos ainda dormiam. Ana, então correu para o quarto dos pais e pulou na cama deles fazendo o maior barulho para que acordassem.
-Mamãe! Papai! Acordem!
-Aninha o que foi meu bem? – perguntou Thiago ainda sonolento.
-Papai hoje é dia das crianças!
-É verdade!
-Então vamos logo! Levantem! – disse ela puxando a mão de Thiago. – Eu já estou pronta!
-Olha só Thiago! Ela se arrumou sozinha hoje! – exclamou Marina observando que a roupa de Ana estava toda errada.
-Puxa vida, Marina! Então se ela se arrumou sozinha ela não é mais uma criança, certo? – brincou Thiago.
-Pois é! Então isso quer dizer que hoje não é o seu dia Aninha!
-Não mamãe! Eu ainda sou criança! Vem me arrumar, por favor! – disse Aninha puxando a mão de Marina.
-Claro coração! – disse Marina sorrindo e levantando-se da cama.
-Papai vai se arrumar! – ordenou Aninha.
-Sim senhorita! – riu Thiago.
Marina levou Aninha para o banheiro e lhe deu um banho bem gostoso. Enquanto isso Thiago foi para cozinha arrumar as coisas para o piquenique.
-Mamãe! – disse Aninha já no quarto enquanto Marina a vestia. – Hoje vai ser um dia lindo!
-Sim meu anjo! Hoje vai ser um dia lindo! – concordou Marina.
Depois que ficou pronta, Aninha correu para cozinha onde ficou olhando Thiago arrumar as coisas. Enquanto isso Marina entrou no quarto de André para acordá-lo.
-André, meu amor! Acorde! Já amanheceu!
-Estou com sono mãe! Me deixa dormir mais um pouco!
-Tudo bem querido! Mas não esqueça que vamos passear hoje! – disse Marina dando um beijo na testa do filho.
-Ta mãe! Eu prometo que vou levantar daqui a pouco. – disse ele ainda de olhos fechados.
Marina decidiu então se arrumar. Enquanto isso na cozinha Aninha começou a conversar com Thiago.
-Papai sabia que hoje vai ser um dia lindo?
-Claro que sim!
-Sabe papai eu vou brincar bastante!
-Eu também posso brincar com você?
-Pode!
-E do que iremos brincar?
-De tudo!
-Boa idéia!
Marina havia terminado de se arrumar e foi para cozinha.
-Como vão as coisas por aqui? – disse ela colocando as mãos na cintura de Thiago e encostando a cabeça em seu braço.
-Está quase tudo pronto!
-Pode deixar que eu termine, vá se arrumar!
-Está certo. – disse ele dando um beijo na testa de Marina. – E o André?
-Disse que daqui a pouco acorda!
-Então ta bom! Já volto minhas princesas!
-Hei papai! –chamou Ana.
-Diga filha!
-Você é o príncipe mais lindo que existe!
-Oh meu anjo! – disse ele pegando a filha no colo e lhe dando um forte abraço. – Muito obrigado por achar isso!
-Mas é verdade! A mamãe escolheu o melhor príncipe do mundo! Não é mamãe?
Marina enrubesceu enquanto Thiago a olhava.
-Sim meu anjo! Escolhi o melhor e único príncipe que existe no mundo! – disse sorrindo para Thiago, que lhe retribuiu o sorriso.
Thiago foi se arrumar, e Marina terminou de ajeitar as coisas para o piquenique.
-Mamãe o que aconteceu com Will?
-Como? – disse Marina assustada.
-A história mamãe.
-Ah sim. Ele encontrou uma moça muito bonita e gentil, se apaixonaram e se casaram.
-E ele nunca mais falou com a princesa?
-Não meu bem. Ele foi embora com a sua esposa e foi viver feliz com ela em outro lugar.
-E a princesa? Ela não quis saber sobre ele?
-A princesa estava muito feliz com seu príncipe e seus filhos lindos. Um dia lhe contaram sobre Will e ela ficou feliz por ele ter seguido a vida dela.
-Que bom mamãe!
Nessa altura, André havia se levantado e ainda de pijama foi para cozinha.
-Olha só quem acordou!
-Dedé! – disse Aninha pulando no irmão.
-Bom dia maninha!
-Vai se arrumar logo Dedé! Hoje teremos um dia lindo!
-Já vou Aninha. Mãe será que posso comer alguma coisa antes? Estou morrendo de fome!
-Claro meu bem! Vou pegar um pão e leite pra você!
Após tudo e todos ficarem prontos, eles se ajeitaram no carro de Thiago e lá foram eles passar o dia das crianças no horto.
Estava fazendo um dia lindo! O céu estava azul e quase não havia nuvens. Também não estava muito quente. Tudo estava muito agradável.
Já no horto, enquanto as crianças brincavam de bola com Thiago, Marina estendia a toalha sobre a mesa do quiosque e colocava o lanche sobre a mesma. Por um tempo ela parou e ficou a observar Thiago a brincar com as crianças. Ela sorriu, pois via não somente o pai carinhoso que ele era, ela olhava para ele ali e pensava:
“Obrigada por você ter entrado na minha vida. Por ter lutado por nós e não ter desistido do nosso amor. Eu te amo tanto que nem sei a dimensão desse amor que sinto por você. Que bom que aquele pesadelo acabou e estou livre do meu passado, podendo agora viver um lindo sonho ao seu lado. Mas esse sonho é real, por que aquele príncipe das histórias existe mesmo e é você. Agradeço muito a Deus por você existir. Espero que eu possa te fazer muito feliz do jeito que você merece. Faço tudo por você.”
E despertada de seus pensamentos pelo chamado de sua filha, Marina foi brincar com eles também.


Por você



...
-Hei Má, o que você tanto escreve ai? – perguntou-me minha amiga Lúcia vendo que eu não estava fazendo o trabalho de TCC do curso. – Isso ai não está parecendo nosso trabalho.
-É uma história Lúcia. Eu estou passando a limpo para o notebook. Quero imprimi-la futuramente.
-E é sobre o que? Posso saber?
Eu ri meio sem graça e respondi:
-É sobre algo que não aconteceu e talvez nunca aconteça, pelo menos não do jeito que escrevi.
-Quem sabe! Você tem que pelo menos tentar fazer acontecer Má. É sobre seu príncipe não é?
-Como você sabe? – perguntei espantada.
-Eu sou cega, mas nem tanto. Consegui ler o nome dele daqui.
-Ops! – foi a única coisa que conseguir dizer diante desse flagra. Se bem que se eu não quisesse que ninguém visse o que era, não teria exposto tanto assim algo que era para ser secreto. Com certeza, lá no fundo eu queria que eu isso acontecesse.
-E então Má? O que vai ser?
-Como assim? O que você quer dizer com isso?
-Ora Má! Você vai dizer o que você sente pra ele ou vai ficar guardando isso só pra você?
-Ai Lúcia! Eu não sei o que fazer nem como fazer. E olha que essa não seria a primeira vez que eu faria algo assim.
-Pois então o que você está esperando? Olha o tempo passa entre nossos dedos como um furacão e nem o vemos. Não seja boba! Diga logo isso pra ele. Se ele não sentir o mesmo por você, paciência, pelo menos um peso você tirou das suas costas. Se ele tiver os mesmos sentimentos por você, maravilha!
-Entendi Lúcia! E acho que já sei o que vou fazer! – eu disse consciente do que estava prestes a fazer. As palavras da Lúcia tiveram um peso muito grande nessa minha decisão. Fui tendo essa idéia conforme ela conversava comigo.
-Ótimo! Então faça! – disse ela por fim.
E é o que estou fazendo.
...
“Thiago, não sei se você vai chegar até essa parte da história. A minha idéia de te dizer o que sinto por você foi escrever essa singela ficção. Não é o jeito mais comum de se dizer a uma pessoa o quanto você gosta dela, mas essa foi a maneira que arrumei para dizer que o príncipe das histórias que lia realmente existe e que ele é você. É claro que você não é perfeito como os príncipes das histórias, mas ninguém é perfeito. Muitas vezes ouvia você conversando com a Lúcia e foi assim que acabei percebendo que tínhamos muitas coisas em comum. Confesso que naquele momento pensei estar sonhando, não era possível que existisse alguém tão perfeito assim, então tentei não focar muito nisso, o que não deu certo. Por que a cada dia que passava comecei a te admirar cada vez mais. Sua gentileza, sua dedicação, seu carinho, sua companhia, suas idéias, seus objetivos, sua amizade. Imagino que eu não seja a princesa que você esperava, mas também não era essa minha intenção. Apenas queria ser eu. E por algum tempo pensei que talvez fosse isso o que você queria que eu fosse ser eu mesma. Comecei a pensar que você também estivesse gostando de mim. Mas era o que eu queria acreditar. Acho que foi por isso que comecei a escrever essa história. No começo escrevia por que é o que eu gosto de fazer, imaginar certas coisas é comigo mesma! Só que conforme eu ia escrevendo, a história foi se tornando mais especial, coloquei muito mais sentimentos do que imaginei. No final das contas ela serviu como uma terapia, na onde realmente consegui me desprender totalmente de meu passado. E com confiança posso escrever isso tudo pra você, pois não tenho mais nada que me impeça de dizer o que sinto. Houve um tempo, quando ainda não te conhecia direito, disse para mim mesma que não queria me apaixonar por você, só que não deu muito certo. Afinal, não se pode mandar no coração. Conclusão, me apaixonei por você. Eu imagino que você deve estar me achando uma completa maluca por ter feito algo assim tão absurdo, enquanto eu simplesmente poderia ter chegado em você e falado tudo o que tinha pra dizer. Mas esse não é meu forte, como você já deve ter notado. Realmente gostaria de ter a coragem suficiente para dizer apenas três palavrinhas pra você cara a cara, olhando em seus olhos. Quem sabe se depois que você ler tudo isso né? Mas só por garantia ficará registrado aqui: eu te amo!”
...
Enfim, essa foi minha idéia genial. Escrevi tanto para dizer tão pouco, enquanto na realidade o que eu sinto é bem mais do que se possa imaginar. Mas fiz tudo isso POR VOCÊ!

Fim














































Um comentário:

  1. Parece ser bem legal a historia, vou ler =)

    Bom domingo!

    Beijos - www.blogdatalitaa.blogspot.com.br

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